domingo, 28 de dezembro de 2008

London IX: Natal na Capital


Peru na Ceia de Natal divina do Sofra - Myfair


Mário iluminando o Covent Garden!


Carnaby Street

Percebendo que eu e o Mário iríamos passar o Natal sozinhos, decidimos ir para uma cidade muito agitada, cheia de gente e coisas para fazer, assim não bateria uma deprê natalina... E mais uma vez, acabamos indo para Londres!

Pode parecer que somos pouco inovadores, mas o fato é que a cada vez que vamos para a Capital Inglesa, fazemos coisas que nunca havíamos feito, e assim não há rotina, nem marasmo!

Antes de bolar a viagem, procurei me certificar que Londres era super Natalina, por meio de comunidades do Orkut! Para minha surpresa, descobri que a opinião geral dos brasileiros em Londres é a de que a cidade fica "abandonada", "triste e sem neve", "sem ter o que fazer", "sem transporte público e com tudo fechado"! Fiquei chocada e resolvi comprovar a veracidade das opiniões. Acabei confirmando o absurdo da falta de transportes públicos pelo site Transport of London, que divulgou a agenda de final de ano, onde constava que do dia 24 ao 27 de dezembro haveria bem menos ônibus e metrôs circulando, muitas estações fechadas e nenhum transporte público em funcionamento dia 25 de dezembro!

Mesmo assim, resolvemos arriscar e procurar Santa por lá... Pegamos um clima ótimo: 7 graus, nada de chuva; e nada de neve. Ficamos no Hotel Hennry VIII, que fica bem próximo ao Hyde Park e às estações Paddington e Queensway, assim chegaríamos fácil dia 24 de Euston, onde parou o trem que (por 8 Libras, pela antecedência com que compramos os tíquetes) tomamos em Manchester.

O Hotel é fraquinho, mas a sauna e a piscina foram uma ótima programação para dia 25 à noite, quando as ruas ficaram desertas... Sim, porque realmente, a cidade fica muito vazia!!! Mas no dia 24, circulamos normalmente de metrô e chegando na Euston (infelizmente após já termos comprado nossos bilhetes do metrô), muitas pessoas nos ofereceram seus Oyster Cards de presente, pois estavam embaracando para outras cidades e não o utilizariam mais; era o "Espírito Natalino" baixando nos ingleses!

A programação de dia foi aproveitar ao máximo para andar de metrô pela cidade. Fomos à Winter Wonderland, um "complexo natalino", com parque de diversões, ringue de patinação no gelo, mercados germânicos e muita muvuca, que foi instalado no Hyde Park no começo de dezembro e fica lá até dia 4 de janeiro.

Depois, fomos até o Covent Garden, para "iluminar" um pouco a multidão de pessoas que transitava pelo charmoso mercado. Sim, porque o mercado está com um projeto interativo de iluminação natalina, que é comandado pelas pessoas, com o toque das mãos sobre um placar metálico. Lindo e muito lúdico!!

Vimos a famosa árvore de Natal da Trafalgar Square, que desde 1947 é doada pelo governo norueguês como agradecimento pelo apoio durante a Segunda Grande Guerra, com direito a um coral em sua base; as iluminações da Regents e Oxford Street, na Piccadilly Circus e na fofíssima Carnaby Street, com seus bonecos de neve gigantes infláveis... Tudo lindo e muito natalino sim!

Para a ceia, tratei de me certificar com antecedência de uma semana que teríamos o que comer! Pesquisei restaurantes que ofereceriam menu de Natal e constatei que a maioria só aceitava grupos acima de 8 pessoas e custava em média 80 Libras por cabeça, sem bebidas.

De tanto fuçar, descobri o que salvou o Natal de muitos turistas em Londres: os turcos, árabes e indianos! Isso porque sendo mulçumanos, eles não celebram o Natal, mas sabem aproveitar a ocasião para ganhar uma grana extra!! Assim, fomos ao Sofra, um restaurante turco super carismático (que estava lotado), no Mayfair, com uma comida deliciosa e que nos custou aos dois, com tudo e mais um pouco, 45 Libras! Foi uma delícia!!

Após nossa "ceia turca", fomos curtir um "banho turco", na piscina do hotel e assim terminamos a noite do dia 24: realizados e felizes, por termos apesar do pessimismo das opiniões no Orkut, da falta da família, dos amigos e da neve, celebrado em grande estilo nosso Natal!

Agora, expectativa para o Hogmanay, o famoso Reveillon de Edimburgo!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

London VII: noitadas para todos os estilos!



Dizem que “a noite é uma criança” e no quesito noite, dada a quantidade de restaurantes, clubes, bares e casas de shows que possui, suspeito que a capital inglesa tenha algo a nos dizer...

Se Londres tem um lado todo certinho, cheio de tradições e ordem, como uma herança preservada pela realeza, ela tem também um lado bem pirado e vanguardista que coexiste e dá o ar de rebeldia que habita todo londrino que se preze. Isso pode ser notado no convívio pacífico das baladas caretas e das baladas extravagantes que formam o circuito da noite na cidade. Sorte do viajante, que pode optar entre fazer um programa padrão e um alternativo, sem a menor dificuldade.

No caso de preferir algo mais tradicional, o viajante pode começar com o clássico chá da tarde. O mais famoso da cidade é o do Hotel Ritz. Num ambiente digno da corte inglesa, o chá e seus acompanhamentos são servidos a partir de 37 Libras por pessoa. O único problema é conseguir um lugar, porque é preciso de 12 meses de antecedência para garantir uma mesa...

Na seqüência de um programa mais comedido, uma sugestão é que se vá a um dos muitos teatros de Londres, para assistir, por exemplo, a peça The Mousetrap (A Ratoeira), de Agatha Christie, que de acordo com o Guinness é a produção que está a mais tempo em cartaz no mundo (estreou em 1952).

Para fechar a noite, a dica é sair para saborear um típico fish and chips no Rock & Sole Place, o mais antigo e restaurante do gênero na cidade, que serve o prato desde 1871.

No caso de se tratar de um viajante mais ousado, pronto a contestar as tradições, uma alternativa é começar a diversão degustando escorpiões com chocolate no exótico Archipelago, eleito o número 8 na lista Top 10 Cool Concept Restaurants in the World (Mais Badalados Restaurantes Conceituais do Mundo). Dalí pode-se seguir para um dos mais inovadores e, indiscutivelmente, o mais gelado pub do mundo, o Absolute Icebar London. Ao preço de 12 Libras (por volta de 48 Reais hoje), o cliente recebe de cara uma bebida à base de vodka e um casaco poderoso para se esquentar, isso porque o bar é inteiramente feito de gelo e mantido a uma temperatura de 5 graus negativos. O problema (ou a salvação, ainda não sei bem) é que só é permitido ficar lá por 40 minutos. Imagino que para evitar hipotermias, ou talvez, o término do estoque de vodka...

Para fechar a programação, o viajante mais ousado pode terminar a noite e começar o dia num clube tido como um dos melhores da capital, o Egg, que reúne a moçada menos comportada em busca de música, dança, performances e festas temáticas até altas horas da madrugada.

Isso é só uma palhinha do que rola nas noites lúdicas da terra da rainha, um reino de tantas culturas e povos diferentes que tem diversão para todos os gostos. Então basta identificar o próprio estilo e cair na noite, porque a noite de Londres é mesmo uma criança!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

London 6: sem pôr a mão no bolso!



Que Londres é uma cidade cara é algo consensual entre os viajantes do mundo, mas o que falta ressaltar nas rodinhas dos mochileiros é que a terra da rainha também tem muitas atrações gratuitas! Esse é o caso, por exemplo, da maioria dos grandes museus de Londres.

A National Portrait Gallery, na Trafalgar Square; o Victoria & Albert Museum, no South Kensington; e a Tate Modern (que atualmente está com uma exposição de arte conceitual do artista Cildo Meireles), em Bankside, são alguns deles. Todos imperdíveis para os apreciadores da arte!

Aos que adoram uma vitrine, visitar as lojas de departamentos, como a Harrods, a Selfridges, a Debenhams, e Hause of Fraser é um passeio obrigatório. Além de lojas de roupas, acessórios, equipamentos esportivos, eletrônicos e objetos de decoração, todas possuem área gourmet e são palco de eventos, não raro com a presença de celebridades lançando seus perfumes, livros, grifes, ou mesmo fazendo compras.

Para sentir o espírito londrino em sua raiz, entretanto, uma alternativa são os mercados de rua. Um dos mais interessantes é o Covent Garden, que além de boutiques variadas, tem mercearias de frutas, verdura, flores e é reduto de performances de artistas e músicos, para o deleite da platéia.

Notting Hill, o bairro imortalizado por Julia Roberts e o legítimo inglês, Hugh Grant, no filme ”Um lugar chamado Notting Hill” merece uma visita não só para que se tente encontrar a dita “porta azul”, cenário de muitas de suas cenas, pois, além de também sediar em agosto o maior carnaval de rua da Europa, o bairro abriga a Portobello Road. É lá onde acontece o Portobello Market, uma junção de vários mercados em um, onde se vende principalmente objetos de decoração e de design de segunda mão. Não há nada mais cool do que ter em casa “street art de Portobello Market”!

Outro mercado de rua que merece uma visita é o Camden Market, que vende desde roupas alternativas e objetos vintage até móveis. Bem próximo a ele, em Islington, fica a Camden Passage, uma rua de pedras onde charmosos cafés se mesclam entre lojas de antiguidades. O passeio pelos mercados não custa nada, mas corre-se o risco de acabar com as economias diante de tantas opções de compras...

Risco esse que não existe ao assistir a tradicional Troca da Guarda. O evento que acontece (diz a lenda, diariamente, mas isso não é verdade!) no pátio da frente do Palácio de Buckingham, a meu ver é um “mico essencial”! Faz parte do sonho do viajante assistir os soldadinhos marchando como robôs, mesmo que seja no meio de uma multidão enlouquecida com suas polaróides em mãos. Então, para não perder nada entre uma marchinha e outra é preciso chegar bem cedo, antes das 11 da manhã e torcer para não ser surpreendido com um aviso de última hora “No Guard Changing Cerimony Today”, (Não haverá cerimônia de Troca da Guarda hoje) como já aconteceu várias vezes comigo...

Uma ótima alternativa é também conhecer os parques londrinos. O Hyde Park, que já foi o lugar preferido de Henrique VIII para caçar e que mais tarde serviu de refúgio da peste negra por parte da população londrina, e o Regent’s Park, onde está o zoológico da cidade, são os mais bonitos em minha opinião. Algumas horas caminhando em seus gramados, ou fazendo um piquenique às margens de seus lagos, podem ajudar a recarregar as baterias entre um dia e outro de muita agitação na capital inglesa.

Além destas atrações, andar pela Picaddily Circus, com seu tão célebre placar eletrônico, pela Oxford Road e Regent Street, ruas deslumbrantes; sentar-se num final de tarde em frente a uma das fontes da Trafalgar Square e apreciar o show de suas águas; cruzar o Tamisa sobre a Tower Bridge e a Ponte do Milênio, enquanto pessoas correm para malhar ou para não perder a hora no trabalho; visitar a Catedral de Saint Paul e a Abadia de Westminster e deparar-se com um lindo recital, são todas, possibilidades gratuitas que a cara Londres dispõe ao visitante ao preço de sua simples curiosidade.

Por isso, é possível desfrutar boa parte dos fascínios de Londres sem colocar a mão no bolso, gastando apenas um pouco da sola dos sapatos, e talvez, um passe de metrô!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

London 5: coisa de cinema!


Onde acontecem as premiéres mais esperadas do mundo!

Que tal pegar um cineminha na terra da Rainha? Ou, melhor dizendo, um “cinemão”, porque dispondo de tantas alternativas inusitadas, a capital inglesa é um roteiro de primeira para os apreciadores da telona. E nem é preciso se preocupar se o filme em cartaz é bom, porque a atração maior acaba sendo mesmo o cenário escolhido para assisti-lo!

Londres tem uma infinidade de cinemas, desde as redes Odeon, com seus filmes hollywodianos, até os temáticos, como o Himalaya, que exibe os sucessos de Bollywood.

Na Leicester Square, fica o famoso Empire, com suas cinco salas ultramodernas. É lá onde acontecem muitos lançamentos de filmes com a participação das estrelas principais, para o deleite dos tietes e paparazzi de plantão.

Mas os que preferem sentir-se a estrela do momento, em vez de apreciá-las desfilando sobre o tapete vermelho, podem ir ao Eletric Cinema, no bairro de Notting Hill. Em troca de um ingresso que varia 7,50 a 30 Libras (de acordo com o dia da semana e o lugar do assento), o cinema oferece estupendas poltronas e sofás de couro, que mais se parecem com espreguiçadeiras, num ambiente luxuoso e cercado de mimos. A “bomboniére” dispõe de champanhe, vinhos e uma seleção gourmet caprichada de petiscos, feita na hora pelo chef. Um lugar digno da realeza!

Na linha interativa, há duas ótimas opções: o Prince Charles Cinema e o BFI IMAX6. Enquanto o primeiro faz da platéia cantores profissionais nas “Sing-a-long nights”, onde o público é quem faz a trilha sonora de musicais; o segundo a torna extensão dos filmes, com efeitos 3D e som estéreo projetados na maior tela do Reino Unido!

Durante o ano todo acontecem festivais de filmes nas grandes salas da cidade e no verão, ainda são montados cinemas a céu aberto, o que gera uma atmosfera inesquecível!

Na maioria das salas de Londres, os ingressos custam de 4,5 a 30 Libras, dependendo da sessão, do assento e do dia da semana e muitos dos cinemas oferecem cartões fidelidade, com descontos progressivos de acordo com a freqüência do usuário.
Com tantas alternativas “de cinema”, assistir a um filme em Londres virou um programa superlativo e com a garantia de um final feliz!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

London 4: the tube; muito mais do que um simples metrô!



Não há escapatória; quem vem para Londres tem que estar disposto a muitos vai-e-vem, porque além de a cidade ser bem grande, as atrações ficam muito distantes umas das outras. Quem tem pique pode até preferir ficar a pé nas zonas 1 e 2, o centro mais turístico, mas perde-se tanto tempo indo de um lugar para outro, que se o tempo na cidade é curto, a caminhada acaba não compensando. E aí é que o viajante vai encarar sua primeira e talvez uma das mais fascinantes atrações da cidade: o metrô.

O metrô, ou tube, como é conhecido pelos londrinos é o sistema de metrô mais antigo do mundo. Com aproximadamente 400 km de extensão, 11 linhas e 274 estações, ele serve mais de quatro milhões de passageiros por dia.

Os bilhetes são vendidos nas estações e as tarifas variam de acordo com o horário (se é ou não horário de pico), as zonas em que se vai circular (que variam de 1 a 6), a idade do usuário, a duração do bilhete (1, 3, 7 dias...) e se permite a utilização conjunta de ônibus e trens. Com a opção do o Oyster, um cartão recarregável conforme o uso, as tarifas ficam levemente mais baratas.

Com o bilhete em mãos, o viajante é levado ao mundo subterrâneo de Londres. O que já foi abrigo durante os bombardeios das duas grandes guerras é hoje um ponto de encontro para as pessoas e um reduto de músicos, que em busca de algumas Libras fazem verdadeiros shows acústicos para uma platéia só de passagem. Entre uma canção e outra, soam avisos periódicos “Mind the Gap”, que alertam para o espaço entre o trem e a plataforma e letreiros exibem mensagens “Beware of the pick pockets”, alertando para o perigo de trombadinhas. Nas paredes, outdoors de musicais, exposições gráficas de design, campanhas contra a matança de chinchilas...

O metrô de Londres foi também palco de filmes de terror, como em Death Line (Linha da Morte) e de muitas histórias de assombração, que hoje sustentam as “Ghost Walks”, caminhadas organizadas para reviver lendas de fantasmas e momentos de terror teoricamente passados em Londres.

Nesse cenário aonde realidade e fantasia se misturam, além da grande quantidade de supostas almas penadas, o fluxo de pessoas também é constante. Há estações que mais se parecem com labirintos, quatro, cinco lances de escada abaixo da superfície (certamente, um lugar desaconselhado para quem tem claustrofobia!), lotadas de pessoas; indicações, escadas, bifurcações e é necessário ficar bastante atento para não ir parar no lugar errado. Além disso, há vagões em que é preciso apertar um botão para a porta abrir, estações em que os trens não param e constantes alterações de rota por conta de reparos nas linhas. Todas estas possibilidades, entretanto, são bem divulgadas, anunciadas e impressas nos mapas espalhados pelas plataformas.

Essa pluralidade de eventos inspira um enorme marketing, com roupas, canecas, cartões postais, cortinas e uma infinidade de objetos com os símbolos e mapa do metrô londrino. Inspirou também uma web designer, Annie Mole, a fazer o London Underground, um blog inusitado e muito premiado sobre o metrô de Londres, que vale uma visita!

Para algumas pessoas, esse excesso de informação que é o metrô londrino, pode ser uma experiência estressante. Mas é bom estar prevenido, porque uma vez que se aprende a circular em Londres por seu subterrâneo, descobrindo as peculiaridades de cada estação, imerso numa multidão globalizada de pessoas, com a liberdade de ir e vir aonde quiser, com música, com arte e sem perda de tempo, pode-se cair na tentação de querer circular pela cidade apenas por debaixo da terra e assim, levar de recordação do reino da rainha mais a imagem de suas linhas do metrô do que a beleza monumental da cidade sobre os seus túneis...

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

London 3: a Playboy, no coração de Londres!



Apesar da fama de ser um dos piores amantes que existem, são os ingleses os ganhadores da maior loja da Playboy no mundo. A filial londrina foi inaugurada no ano passado, para encabeçar as sete outras que compõe um verdadeiro império sob os lençóis, nas cidades de Las Vegas, Tokyo, Melbourne, Hong Kong, Kuala Lumpur, Bangkok and Auckland.

O investimento ocupa um prédio inteiro de 4000 metros quadrados bem no coração comercial da capital britânica, a Oxford Street, onde além de lingerie sensual, roupas para malhar, peças de decoração, acessórios e moda jovem, vende-se sex appeal!

Os preços não são convidativos como os produtos, mas há quem esteja disposto a sinalizar com as orelhas de um coelho, que tem um estilo atrevido, custe o que custar! Britney Spears, Jennifer Lopez e Snoop Dogg são algumas das estrelas que incorporam esse fetiche e desfilam diante dos holofotes com seu logo inconfundível.

Hoje, a marca detém, além da revista que há 54 anos faz a alegria de gerações movidas à testosterona, cassinos, revista on-line, e até mesmo um site de relacionamentos na Internet, rival do Facebook.

Resta saber se o Credit Crunch não vai acabar baixando o fogo dos compradores, e junto com ele, as orelhas empinadas deste coelho sedutor...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

London 2: a bem amada e mal assombrada Londres!



É elementar meu caro leitor, mas nem só de brilhos vive Londres; há um lado sombrio da cidade que a torna uma meca para os amantes das histórias de terror. A neblina típica, os castelos e torres ditos mal-assombrados e os becos sem saída, cenários dos crimes cometidos pelo assassino mais famoso do mundo, Jack, o Estripador, inspiraram contos de Sherlock Holmes e a imaginação de muita gente, que hoje vive à custa de um turismo arrepiante!

Isso porque a bem amada capital inglesa dispõe de tantos eventos e atrações horripilantes o ano inteiro, que não é preciso esperar o dia das Bruxas para sentir a adrenalina disparar de pavor!

O dia das Bruxas mesmo é comemorado em 31 de outubro, com as crianças vestindo trajes assustadores, batendo de porta em porta ameaçando fazer travessuras aos que não derem docinhos, e os adultos vagando noite afora, sedentos por diversão em baladas temáticas.

A cidade também aproveita a ocasião para exorcizar os seus demônios! Casas, hotéis, restaurantes, lojas, tudo fica em função do lado negro: as vitrines ganham teias de aranha; os jardins, morcegos e abóboras sinistras e os restaurantes e bares incluem em seus cardápios pratos especiais e bebidas de nomes sugestivos, como “Beijo do Vampiro”.

Neste ano, ainda aconteceram o Ghost Festival - um evento em que museus, bibliotecas, cinemas e empresas de cruzeiros pelo Tamisa tiveram programação mórbida, e as famosas Ghost Walks, as “Caminhadas Fantasma”. As Ghost Walks, assim como outras atrações na linha trash, acontecem o ano todo e são organizadas por guias para percorrer os pontos mais tenebrosos da cidade, contando sobre suas histórias de terror passadas e os locais ditos “mal-assombrados”.

A Bonfire Nigh”, ou “Noite da Fogueira”, é uma festa ainda maior do que o Dia das Bruxas. Todo dia 5 de novembro, a população se reúne em praças e parques para celebrar a morte de Guy Fawkes, o homem que foi executado em 1605, após ter sido descoberto que planejava explodir o Parlamento Inglês com barris de pólvora. Nas festas, acontecem grandes queimas de fogos de artifício, montam-se fogueiras, barracas de comidas típicas, cantam-se músicas e crianças fazem bonecos de pano e jornal para representar o traidor e no final, atiram- no ao fogo. Muitos saem com fantasias para celebrar e depois reúnem os amigos em casa para tomar sopa, comer batatas assadas, hambúrgueres e maçãs carameladas.

Mas quem está na cidade fora dessa época do ano também encontra várias outras atrações horripilantes. Uma delas é o London Dungeon, ou “Calabouço de Londres”. É uma espécie de teatro interativo, que se passa debaixo da London Bridge, onde atores recriam histórias tétricas da cidade, como as de Jack, o Estripador, da Peste Negra, de fantasmas e outras entidades pouco amigas, usando efeitos especiais, pirotecnia e cenários elaborados!

A Tower of London, ou “Torre de Londres”, é provavelmente o ponto com mais veracidade no passado de horrores que a cidade tem. O rol de possíveis fantasmas inclui não só os dois famosos príncipes que foram assassinados no século XV e Ana Bolena, executada a mando de seu marido, o Rei Henrique VIII, mas também o traidor Guy Fawkes. E não é balela não; há quem jure de pés juntos ter visto almas penadas nas visitas à Torre!

Aberto 365 dias por ano, o museu Ripley’s Believe it or Not! é uma atração especial para quem era fã de Jack Palance nas épocas em que apresentava “Acredite se Quiser” na extinta rede Manchete. Isso porque exibe as bizarrices mostradas pelo programa e que foram coletadas mundo afora por Ripley, um viajante de gosto duvidoso que durante sua vida arrecadou mais de 500 atípicos artefatos. Cabeças humanas no tamanho de uma laranja, animais com duas cabeças, quites para matar vampiros e muitas outras esquisitices podem ser apreciadas de pertinho no museu. Certamente um passeio para quem tem estômago!

Outra opção que requer estômago, mas dessa vez para as delícias da boa mesa, é o Medieval Banquet, localizado próximo à Torre de Londres. Uma combinação de banquete, teatro, danças, bruxaria, mágicas e lutas, com clima de taverna da Idade Média nos porões da Ivory House (Casa de Marfim) faz dessa atração uma experiência divertida e um pouco aterrorizante... Tudo isso por 43 Libras (sim, o preço é bem assustador também!

Em tempo, o musical Wicked, que conta a história não-dita do Mágico de Oz no mundo da feitiçaria é uma excelente alternativa para qualquer época do ano. Dessa vez, a única coisa que não espanta na peça é o preço da entrada, porque é possível assistir ao espetáculo com apenas 15 Libras!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

London 1: Para flagrar a Realeza!



Perdendo a majestade!

Uma das maiores atrações de Londres é sem dúvida, a realeza. A Rainha, os príncipes, o Palácio de Buckingham, toda a tradição da nobreza dá uma aura mágica à cidade e nos causa a sensação de estar num conto de fadas, ou algo do gênero. Quem imagina que a única chance de ver alguém da família Real é indo ver a Troca da Guarda, pode tirar o cavalinho da chuva! Além das cerimônias Reais, onde a Realeza aparece publicamente, passeia em carruagens pela cidade e faz discursos, com algumas dicas e um pouco de sorte, pode-se esbarrar nos herdeiros do trono em situações cotidianas e eventualmente, comprometedoras...

Isso porque, diferentemente do que se possa esperar da família Real, seus membros estão sempre pelas ruas e no alvo da mídia, aprontando escândalos e alimentando os tablóides de fofocas, para o desgosto da Rainha. Os príncipes William e Harry são a maior prova disso e vivem causando polêmica por onde passam.

O futuro Rei da Inglaterra, William, já foi capa de jornal quando resolveu posar para uma foto com a mão no peito de uma “fã” brasileira; Harry, o caçula, abalou o trono ao posar para fotos com roupas de nazista, só para citar algumas das mais comentadas confusões que a dupla - conhecida também por ser adepta de bebedeiras e fumar uns baseados de vez em quando - aprontou.

De dia, é possível cruzar com os dois rebentos Reais em função de causas nobres, torcendo por seus times em eventos esportivos de pólo e rúgbi, fazendo boas-ações em orfanatos e hospitais e em festas promovidas por instituições de caridade. De noite, os irmãos circulam livremente pela agitada Londres e podem ser vistos menos comportados em alguns clubes da capital.

O preferido da dupla no momento é o Mahiki, no distrito de Mayfair. O clube, que reproduz o clima das Ilhas do Pacífico com decoração feita de bambus e vime, tem noitadas temáticas, um restaurante étnico que inclui opções orgânicas e light, drinques exóticos e a fama de reunir celebridades como Britney Spears, Paris Hilton, Lindsay Lohan, entre outras. A casa não tem listas de espera, exigências de traje social e até as 22 hs não cobra pela entrada. Após esse horário, são 19 Libras por pessoa.

Além do Mahiki, William e Harry podem ser encontrados no clube Boujis, em South e no restaurante Brinkleys, que fica no Chelsea.

Com essas pistas em mãos, traçar um roteiro Real fica fácil e mais fácil ainda, flagrar o sangue azul manchando a reputação da própria monarquia!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Chester: compras e história, sem perder a hora!


Clima natalino!


Eastgate Clock!

Chester de cima!


Pose na muralha...

Aproximadamente à uma hora e meia de trem (em torno de 11 Libras por pessoa), saindo de Manchester, fica a pequenina Chester. Mais conhecida por seu cinematográfico zoológico, onde se passa a série ER Zoo que é transmitida para todo UK, a cidade é também um excelente programa de final de semana seja para fazer compras, ir a baladas, ou relaxar.

Chester preservou sua arquitetura medieval e revela traços de uma colonização romana demais de dois mil anos. A cidade é protegida por uma muralha por onde se pode caminhar e apreciar de cima todo o charme que ela tenta esconder de quem vem de fora.

Uma das maiores atrações que Chester possui é o relógio Eastgate, que dizem os britânicos ser o segundo mais fotografado do mundo, logo atrás do Big Ben, mas desconfio que isso seja lenda, porque apesar de gracioso, o relógio não causa uma comoção nos turistas, como causa o Relógio Astronômico de Praga; mas enfim, pelo menos ninguém perde a hora enquanto se diverte comprando, ou apreciando a história...

Além do relógio, a cidade é famosa pelas corridas de cavalos, pelos seus queijos refinados, pela imponente Catedral, pelos shoppings e galerias peculiares, hotéis, spas e restaurantes renomados e pelo Rio Dee, por onde navegam bateau mouches à lá Sena Cruises... Tudo muito pitoresco e agradável de se olhar!

Até 21 de dezembro, também é possível curtir os mercados de natal de Chester, que apesar de serem poucos, são mais baratos e oferecem os mesmos produtos e facilidades do que os de cidades maiores!

Chester em clima de natal!

video

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Os mercados natalinos!





Diferentemente do que ocorre no Brasil, onde o agito natalino se concentra entre dentro dos shoppings centers, em UK, ele acontece "outdoors"!

Isso é algo bastante inusitado, se pararmos para pensar que as maravilhosas noites de verão de dezembro do Brasil são desperdiçadas entre quatro paredes, enquanto as congelantes e muitas vezes, chuvosas noites de inverno de UK são "aproveitadas" a céu céu aberto, nos tradicionais mercados de rua!

Os mercados de rua, são centenas de cabaninhas de alvernaria, lado a lado, espalhadas por várias localidades da cidade, vendendo de artesanato de diversos países da Europa a comidas típicas. Algumas dessas cabanas são verdadeiros pubs germânicos, onde se come salsichas de todos os tipos e se bebe cerveja de marcas variadas!!

Durante a semana toda, as pessoas tomam as ruas do centro da cidade para comprar presentes nos mercados e se reúnirem nesse happy hour descontraído. Mas é nos finais de semana que os mercados ficam completamente lotados, criando um clima natalino muito mais interessante do que vemos nas ruas e estacionamentos congestionados no Brasil...

Os mercados de Manchester estão dispersos pela Albert Square, St Ann's Square, Exchange Street, New Cathedral Street and Brazennose Street e funcionam das 10 da manhã às 9 da noite, até dia 21 de dezembro.

sábado, 22 de novembro de 2008

Licença Poética III: Praga de Deus!


Venceslau Square vista do Museu Nacional


Entardecer na Charles Bridge


Stare Mesto


Vista do Castelo de Praga


Venceslau Square










Desista de tentar rotular Praga. “A Cidade Dourada”, “Paris do Leste”, “Cidade das 100 Cúpulas”; rótulos não definem o que foi construído em milhares de anos de uma história marcada por guerras e conquistas, bem no coração da República Checa. Praga é uma cidade que se desvenda mais pelos sentidos do que pelo intelecto...

Ela se faz ouvir nos ecos de um passado célebre pela música, tendo seu nome ligado aos compositores Bedrich Smetana, Antonín Dvorák e Mozart, que em sua estada por lá terminou uma de suas maiores obras, a ópera Don Giovanni. Praga se insinua por um perfume que mescla o sangue de muitas lutas e batalhas, com o de uma primavera que ainda estava por vir, com o fim do Regime Totalitário. Ela se revela no vislumbre da riqueza de estilos arquitetônicos, impecavelmente preservados ao longo dos anos (por milagre intocada durante as Grandes Guerras Mundiais) e no que pode ser lido dos escritos de Franz Kafka e Rainer Maria Rilke.

Praga se descobre na aspereza de seus inúmeros monumentos dispersos no entorno do Moldávia, para o deleite das mãos que os apalpam; e se saboreia numa xícara de seu inigualável café, no peito de pato com maçãs num refinado prato típico, no gosto de "quero mais" que nos faz sonhar em repetir o roteiro, antes mesmo de tê-lo completado.

Dividida em bairros, a cidade unifica seu patrimônio cultural. Entre igrejas que vão do barroco ao gótico, às sinagogas do século XIII; palácios imponentes às singelas casas de fachada irregular, e ostentando desde teatros e casas de concertos magníficos até músicos anônimos que tocam por suas vielas, Praga nos enfeitiça e faz esquecer a vida, esquecer o tempo, perder a hora.

Por isso talvez, para nos lembrar que a vida continua, ela tenha tantos relógios em suas torres. O mais famoso deles é o Relógio Astronômico, que data do século XV e fica na torre gótica da Câmara Municipal Cidade Velha, ou Stare Mésto. Todos os dias, das 9 às 21 horas, uma performance de apóstolos, seres alegóricos e um galo, os protagonistas da obra-prima, celebram o passar do tempo para uma multidão de turistas. Diz a lenda, que os vereadores da Câmara mandaram cegar o mestre que o construiu para que ele nunca pudesse fazer uma réplica.

Além do relógio, a igreja Tyn, com suas torres negras góticas, provoca torcicolo nos que ousam avistar os seus limites. Os luxuosos cafés, decorados com tapeçaria fina e lustres de cristal (como o Café Louvre, fundado em 1902, cujos frequentadores mais conhecidos foram Franz Kafka e Albert Einstein), as pequenas lojas que vendem de marionetes à peças em vidro, os hotéis em estilo Art Noveau e os infindáveis monumentos e igrejas que circundam o calçadão da Cidade Velha, formam um cenário peculiar que emoldura centenas de turistas deslumbrados, percorrendo as ruas labirínticas da capital checa como uma procissão em êxtase louvando sua beleza. Ainda na Cidade Velha, está o bairro Josefstadt, com o gueto e o cemitério judaicos do século XII.

Dentre as diversas pontes que atravessam o Moldávia, destaca-se a Charles Bridge, que liga a Cidade Velha ao Castelo de Praga. Mais do que passagem, a ponte se faz destino final. Com quase 10 metros de largura e 516 de comprimento, no início do século XVIII ela foi decorada por 30 estátuas ou grupos de estátuas no estilo barroco, representando santos, personagens históricas e bíblicas. Em ambos seus extremos a ponte é fortificada por torres; de um lado, a vista deslumbrante do castelo sobre a colina; e igrejas e monumentos espremidos por estreitas ruas de paralelepípedos do outro. Abaixo, cisnes valsando ao ritmo das águas geladas do Moldávia. O que mais poderia um mortal querer vislumbrar de uma ponte?

Na força de sua primorosa ornamentação, a Charles Bridge conta histórias de um passado trágico. Em 1393 o corpo de João Nepomuceno, vicário general do Rei da Boémia, Venceslau IV, foi atirado da ponte. Isso porque ele se recusou a revelar o segredo da confissão da Rainha Sofia (que a oposição cismou em arrancar dele). Na beira da ponte (entre a estátua do S. João Baptista e o grupo de S. Norberto, Venceslau e Segismundo), no lugar exato de onde atiraram o corpo, foi instalada uma cruz de latão com cinco estrelas. Há uma superstição que afirma que quem colocar a palma da mão na cruz, de maneira que cada dedo toque uma das estrelas, terá seus desejos realizados. A tradição explica o tamanho da fila de pessoas que se forma diante do pobre mártir em pedra, à espera do toque abençoado que realize seus milagres.

Saindo da ponte, à partir da esquina de cima da Praça do Bairro Pequeno, Malá Strana, há uma ladeira que conduz ao Castelo de Praga. Essa rua é a famosa Narudova, conhecida pelas ornamentações nas fachadas das casas. Como antigamente não se usava numerar as residências, os moradores construíam símbolos sobre as portas, algo que tivesse relação com sua profissão. As mais famosas fachadas são as dos Três Violinos, a dos Dois Sois, a da Chave Dourada, a do Anjo Branco e a casa do Leão Vermelho.

O Castelo de Praga fica no topo da Colina Hradcany. O maior castelo medieval do mundo já foi a sede dos reis dos países checos e hoje é a sede do presidente da República Checa. A troca da guarda do Castelo pode ser acompanhada diariamente ao meio-dia em frente aos portões do Castelo. Apesar de um pouco longa, vale a pena ser vista. Dentro de seu perímetro, ficam a Catedral de S. Víto, Václav e Vojtech, com a capela e torre, o Antigo Palácio Real, a Basilica de S. Jorge, a Torre de Pólvora e o Beco de Ouro, uma rua estreita com pequenas casinhas, onde viviam os empregados do castelo. A casa 22 foi escritório de Kafka. O tíquete mais barato para visitar o castelo sai por 250 KZC (por volta de 10 Euros) por pessoa e inclui as principais atrações.

Próximo ao Castelo, no topo da colina, fica o Loreto, um mosteiro estabelecido pela Ordem dos Capuchinhos. Sua principal atração é o carrilhão, com 30 sinos, que a cada hora tocam uma antiga canção dedicada à Virgem Maria. Entre os músicos que tocaram no Loreto, estão Mozart e Ferenc Liszt.

No Nové Město, ou Cidade Nova, estão a estátua de São Venceslau, feita em 1915; o Museu Nacional; o Teatro Tyl, onde estreou a ópera Don Giovanni, de Mozart; o Teatro Nacional, de 1883; igrejas e palácios barrocos.

A Venceslau Square, uma das imagens mais impressionantes que se tem de Praga, foi fundada por Carlos IV, em 1348. Em 1913, na parte de cima da praça foi erigido o monumento com estátua de São Venceslau sobre o cavalo. Foi lá, o palco dos mais importantes momentos da história moderna checa: nela foi proclamada a independência do Estado Checoslovaco em 1918; em 1945 foi ali anunciado o fim da Segunda Guerra Mundial. Em 1969 dois estudantes checos, Jan Palach e Jan Zajíc, queimaram-se vivos na Praça, protestando dessa maneira contra a invasão da Checoslováquia pelas tropas do Pacto de Varsóvia. Em Novembro 1989, uma multidão reunida na praça iniciou a “Revolução de Veludo“, que acabou com o poder do regime comunista no país. Hoje, a área é dominada por hotéis e estabelecimentos comerciais.

Mas apesar da Primavera de Praga, nem tudo são flores na cidade. A Venceslau Square, mesmo com toda sua grandeza, é uma área mais popular e, dizem, menos segura, por onde circulam à noite trombadinhas, prostitutas e moradores de rua. As atrações, inclusive igrejas e sinagogas são na grande maioria pagas e os preços dos souvenirs também é bem elevado. Além disso, o povo não pode ser chamado exatamente de cordial, parece haver um "ranso" da Cortina de Ferro na personalidade dos checos, porque apesar de bonitos, eles não sorriem, não são atenciosos e parecem não valorizar o turista. Até os franceses são mais agradáveis, em minha opinião.

Tirando esses espinhos de Praga, e com respeito à sua tradição religiosa, penso que a cidade seja a prova de que os deuses pecam também pela vaidade, ostentando bem alto suas belezas douradas, ao leste do mapa, para a cobiça do mundo. Por isso, também me dou ao luxo de pecar, e rotulo essa jóia oriental de “Ego de Deus”, porque foi esse o lugar do globo que me fez crer de fato, que Deus existe!

O Relógio Astronômico!

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Stare Mésto

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Charles Bridge à noite...

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domingo, 9 de novembro de 2008

Luzes na cidade para iluminar a economia!





Não sei se por causa do frio (na atmosfera e na economia!), mas o Natal chegou mais cedo em Manchester. Dia sete de novembro, mais precisamente.

Para dar a largada no espírito natalino, a prefeitura da cidade organizou a maior festa no centro, na Albert Square. O pretexto para o evento intitulado “Christmas Light Switch-On” foi inaugurar a iluminação de Natal no centro, mas como eu não acredito em Papai Noel, imagino que a idéia tenha sido a de mobilizar o consumidor a colocar a mão no bolso e assim, dar um up nas vendas, que segundo prevêem os especialistas, serão um fiasco em função do credit crunch global.

O fato é que uma bela multidão se aglomerou em frente à Prefeitura para curtir a festa. Sob o palco montado, cantaram celebrities Alesha Dixon e Leon Jackson, para o delírio dos teenagers histéricos. Um coral gospel, Papai Noel, bonecos de neve, personagens de desenho infantil e atores de “O Mágico de Oz” também fizeram suas performances natalinas. O show todo terminou com uma contagem regressiva para acender a iluminação decorativa das ruas e iluminar o céu nublado, com uma empolgante queima de fogos ao som da trilha de Mary Poppins!

Resta torcer para que o Natal seja uma luz no fim do túnel na economia mundial, reequilibrando contas bancárias, empresas, as bolsas de valores, as moedas, os empregos, a cabeça de todo mundo... E aí sim, eu volto a acreditar em Papai Noel!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Bonfire Night, como manda a tradição!



Foi ontem a famosa celebração de Bonfire Night! Como contei no post anterior, a “Noite da Fogueira” acontece todo dia cinco de novembro para relembrar a execução de Guy Fawkes, um revoltado com o sistema monárquico cujo plano de explodir o Parlamento Inglês com barris de pólvora, em 1605, foi descoberto a tempo de evitar a tragédia dos nobres e proclamar a sua própria!

Sim, ele foi capturado com seus comparsas e todos foram esquartejados e queimados na fogueira... Por isso, Bonfire Night é uma comemoração meio mórbida, um vodu que relembra o que aconteceu com o mau exemplo que ousou contestar a Rainha. Bem, nem me abalei com o lado trash da festa, porque no fundo, ela é muito divertida!!

Muitos parques e praças da cidade organizaram a noitada, mas acabei indo ao Heaton Norris Park, que fica perto de casa, para acompanhar o evento com um grupo de ingleses. Lá, foram montados um parque de diversões, barracas de comidas típicas e um palco, onde uma banda de rap de uma igreja fez sua pregação e pôs a moçada pra dançar! No centro, uma gigantesca fogueira com um boneco representando Guy Fawkes preso no topo aqueceu a multidão e carbonizou pela 408a vez o abominado traidor da pátria.

O ápice da festa são os fogos de artifício. Uma linda queima de 20 minutos tratou de encerrar o evento a céu aberto e dar início às festividades nas casas dos ingleses, porque a regra é reunir as pessoas em casa para comer salsichas, hambúrgueres, o típico Hotpot (que são batatas, cenouras e cordeiro ensopados), docinhos e tomar sopa de ervilhas com presunto. Uma mistura meio doida, mas enfim; a culinária não é mesmo o forte dos ingleses...

Assim, depois dos fogos, fomos eu o Mário e uma galerinha regional para a casa da Maddie, a proprietária do nosso flat. Na cozinha cheia de gatos e pessoas malucas, tomando sopa em torno do fogão, encerramos a noite como manda a tradição e agradecemos à ousadia do traidor, porque hoje ela é motivo só de alegria!

A fogueria de Guy Fawkes!
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Bonfire no Heaton Norris Park
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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Halloween e Bonfire Night em UK



Foi Halloween dia 31 de outubro, mas se não fosse pelas abóboras tenebrosas em algumas casas e uns poucos gatos pingados vestidos a caráter, batendo de porta em porta pedir doce, eu nem teria notado...

Isso porque diferentemente do que se possa pensar, o Dia das Bruxas não é uma grande tradição de UK. Cinco dias depois, entretanto, acontece uma das maiores celebrações na terra da Rainha: Bonfire Night!

A “Noite da Fogueira” acontece todo dia cinco de novembro para relembrar a execução de Guy Fawkes, um cidadão revoltado com o sistema monárquico cujo plano de explodir o Parlamento Inglês com barris de pólvora, em 1605, foi descoberto a tempo de evitar a tragédia.

No ritual, a população se reúne em diferentes praças e parques, onde acontecem grandes queimas de fogos de artifício, montam-se fogueiras, barracas de comidas típicas, cantam-se músicas e crianças fazem bonecos de pano e jornal para representar o traidor e no final, atiram- no ao fogo. Muitos saem fantasiados e depois reúnem os amigos em casa para tomar sopa, comer batatas assadas, hambúrgueres e maçãs carameladas.

Muitas das festas públicas são organizadas por instituições de caridade, que cobram uma pequena entrada para financiar as causas que apóiam. Por conta disso, há festas rolando na cidade a semana inteira, e ontem o Trafford Centre deu início às festividades. Fizeram a maior queima de fogos do norte da Inglaterra. Foi bem bonito: 20 minutos de fogos combinados com trilha sonora para uma multidão!

Dia 05 vou conferir uma legítima Bonfire de UK e depois posto aqui pra contar minhas impressões!


Fogos no ritmo da música, Traford Centre
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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Restaurantes Brasileiros em Manchester e Londres


Chega de arroz basmatti e feijão enlatado!!!

O maior desgosto que um brasileiro provavelmente vai ter em UK é a gastronomia. A comida típica dos ingleses é o “Fish and Ships”, o tradicional filé de peixe empanado e frito com uma porção imensa de batatas fritas. Fora isso, os britânicos tradicionais têm como desjejum o “English Breakfast”, que é a inacreditável combinação de 2 lingüiças, cogumelos e ovos fritos, com torradas na manteiga e feijão doce com bacon, perfazendo um total de 540 calorias imediatas e alguns possíveis infartos no futuro.

A única boa lembrança dos hábitos culinários que se pode levar da terra da rainha é o chá das 5, desde que sem os imensos muffins e cookies caramelados. Por isso, para matar a saudade de uma “comida de verdade”, gostosa e saudável (o que só um bom prato de arroz com feijão pode fazer), é preciso ter em mãos uma lista de endereços de restaurantes brasileiros.

Na linha “jeitinho brasileiro”, muitos deles oferecem além de pratos típicos, shows de samba e pagode, assessoria para visto, dicas de emprego, acomodação e produtos importados da terrinha, que não são encontrados em mercados, como o café Pilão, Nescau, Bono, Zero Cal, guaraná, pão de queijo, e assim vai...

Em Manchester, as opções não são muitas, mas são ótimas! Para um café-com–leite matinal, um almoço informal, um lanchinho feliz ou mesmo umas comprinhas tupiniquins, a dica é o Boteco do Brasil, que fica dentro do Shopping Arndale . Além de um atendimento super simpático, eles oferecem saborosos pratos, por 4,5 Libras, fazem doces e salgados por encomendas e estão super abertos a sugestões dos clientes para incorporar novas delícias ao menu.

Para ocasiões mais festivas e formais, há duas opções de rodízios: o Pau Brasil e o recém inaugurado Tropeiro. Com preços que variam de 12,50 a 25 Libras, dependendo se é almoço ou jantar, ambos trazem grande fartura de cortes em um ambiente de sofisticação e acolhimento, o que só um brasileiro sabe proporcionar!

Para quem está em Londres, as opções são muitas, e abaixo listo os mais conhecidos e bem falados cafés, rodízios e restaurantes típicos brasileiros. Para saber preços, horários de funcionamento e como chegar, é só clicar nos links!

Barraco Buffet
Feijão do Luis
Guanabara
Made in Brasil
Raízes
Casa Brasil
Rodizio Rico

Outras opções e avaliações de restaurantes, você encontra nas páginas amarelas do OI LONDRES

Espero que com essas dicas você consiga matar a sua fome de “comida de verdade”, e também, um pouquinho da sua saudade do Brasil!

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Whitby - um lugar para escrever o nome na história!


Vista do píer!


O famosos Mapgpie Caffe


Pequena torre no extremo do píer


Terra à vista!!!


Homenagem ao descobridor da Austrália!


Ruínas da Abadia de Whitby!







Pense rápido: o que Drácula, Santa Hilda e o capitão James Cook,têm em comum?

Pois bem, fora o fato de que os três já morreram (e de que o primeiro deve ter ido para o inferno, de que a santa deve ter ido para o céu e que o capitão deve estar perambulando em navios-fantasma mundo afora), todos têm a cidade de Whitby como a maior testemunha de seus feitos.

Ao norte da Inglaterra, a três horas de Manchester (de trem) e a 40 minutos de Scarborough (via ônibus Arriva – 93 ou 93 X – que têm saídas de hora em hora), encontra-se a pequena Whitby, com sua singela praia, dramáticos penhascos e uma linda marina rodeada por casinhas de pedra da idade média. A “Old Town”, ou cidade Velha, é marcada pelas casinhas amontoadas em torno do porto. Ao alto da colina, a St Mary’s church, próximo a ela, as ruínas da Whitby Abbey. A cidade reflete um passado tão célebre, que seu aparente anonimato só pode ser fruto da modéstia típica dos ingleses.

A história de Whitby remonta ao século VII, quando Hilda, a filha do primeiro rei cristão da Inglaterra fundou o monastério de Whitby em 657, que mais tarde veio a ser a Abadia de Whitby. Depois de viver 33 anos na corte, com todos os luxos que podia ter, sendo cortejada por todos, retirou-se com a irmã e algumas companheiras para as margens de um rio, para viver religiosamente. Seu estilo de vida inspirou muitas pessoas a agir da mesma forma, e muitos milagres foram atribuídos a ela, como o de ter tornado Caedmon - um trabalhador analfabeto da igreja - no que hoje é considerado por muitos, de o pai dos poetas ingleses. Com isso, a boa moça acabou santificada e assim, imortalizada. Já a abadia, foi destruída posteriormente por Henrique VIII, o mesmo que guilhotinou a sua esposa Ana Bolena (entre outras muitas maldades) e que se tornou líder da igreja anglicana.

Mil anos depois, a cidade abrigou o pioneiro da exploração do Oceano Pacífico e descobridor da Austrália, o ilustre comandante James Cook. Nascido em Marton-in-Cleveland, Yorkshire; em 1746, ele se mudou para Whitby, onde estudou náutica, matemática e astronomia. Dez anos depois, Cook ingressou na Marinha britânica e foi incumbido de fazer as três viagens de circunavegação que acabaram por torná-lo um dos maiores cartógrafos e exploradores da história . Em uma delas, o capitão passou até pelo Rio de Janeiro (deve ter deixado alguns marujinhos no porto de lá!)!

Quase 200 anos depois das façanhas do Capitão Cook, foi a vez de Bram Stocker escrever seu nome na história de Whiby. Foi lá que sua criação mais ilustre deu o sangue, ou melhor, bebeu o sangue de vítimas indefesas. Muitas passagens de Drácula, a obra que o "consa(n)grou", passam-se em seus penhascos e na mórbida Saint Mary’s Church, a igreja que é inteiramente feita de madeira por dentro e cercada por centenas de túmulos pelo lado de fora.

Hoje, Whitby recolhe os frutos de seu passado célebre. Multidões de turistas circulam por todos os lados, alguns góticos, idolatrando vestígios de Drácula, outros embarcando em cruzeiros de um dia na réplica do “Endeavour”, o navio que levou o Capitão Cook a desvendar os sete mares, e muitos a comer fish & ships no tradicional Magpie Caffe após horas na fila em busca de uma mesa que os reportasse aos tempos em que o lugar era um ponto de encontro de marujos e altos oficiais da marinha britânica.

Para apreciar tanta história, é preciso certo afastamento no tempo; para apreciar toda sua graça, um certo afastamento no espaço, por isso, se um dia for a Whitby, prepare-se para enfrentar a resistência dos ventos e rumar pelo píer até o seu final. De lá, sim, será possível enxergar o porquê dessa pequena notável ter inspirado tanta gente a brilhar... Quem sabe, o próximo a brilhar não pode ser você?

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Um cenário de cinema chamado Robin Hood’s Bay!


Casas na ladeira



Praia de pedras...


Mar de telhados


Natureza selvagem


Vista do penhasco


Arranjo de marujo










O que hoje é uma tetéia turística encravada nas íngremes colinas da costa norte da Inglaterra, esconde (ou revela, ainda não sei...) um passado arqueológico riquíssimo, histórias de pirataria, paixões proibidas, crimes e perseguição. A 3 horas de Manchester, e a 40 minutos de ônibus (Arriva, Número 93, saindo da estação ferroviária de hora em hora) de Scarborough, fica a mágica Baía de Robin Hood.

Milhões de anos atrás, a região que hoje abriga a pequena vila era mar profundo. Por conta disso, é lá um dos melhores sítios para pesquisa de fósseis em UK. Com o passar do tempo, formou-se a baía, que por volta do ano de 1500, foi colonizada pelos noruegueses, atraídos pelo solo fértil e abundância de peixes. Dado o relevo tortuoso da baía, a ocupação destes marinheiros migrantes gerou muitas vielas, ruas estreitas, passagens subterrâneas, becos sem saída...

Muitos marinheiros foram atraídos pela fama do local e assim, a baía acabou chamando a atenção de piratas, que saqueavam as embarcações, e de contrabandistas, que revendiam os peixes roubados. Com isso, brigas, mortes, prisões, vinganças, fugas espetaculares, crimes, paixões... Formava-se o cenário perfeito para inspirar histórias de cinema.

O nome da baía permanece um mistério. Não há registro algum de que o folclórico Robin Hood tenha passado pela baía. O que se cogita é que derive da lenda antiga de Robin Hood, nome de um espírito da floresta, que era amplamente difundido pelo país muito tempo antes de surgir o mito do caridoso ladrão!

A verdade é que essa herança fora-da-lei, tão bem preservada, faz da baía um imã para cultuadores do imaginário, um ponto de convergência de poetas, marujos pretensos ou de fato, mulheres românticas e apreciadores de um quase anônimo refúgio da natureza. Sim, porque a natureza hostil do lugar também atrai animais selvagens, como patos e gansos, que em meio ao vento ensurdecedor que varre a baía, se banham nas águas geladas, entre rochedos e algas, num ritual bonito de se observar...

E é só isso ó que nos cabe diante de um cenário tão mítico, intocado e diversificado: observar, ser expectador de um filme que há muito começou e que se depender da magia do lugar, nunca vai terminar de rodar...


O barulho do vento, o silêncio do mar e o caminhar do Mário


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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Scarborough Fair


















Quem já não escutou a linda canção “Are you going to Scarborough Fair”, de Paul Simon e Garfunkel, que embala o relacionamento do mau elemento Ben Braddock, interpretado por Dustin Hoffman, com sua namorada e sua “sogra” (mais conhecida como Mrs Robinson) no clássico “A primeira noite de um homem”?

Pois sim, a feira entoada na balada é uma das diversas versões que derivam de causos da idade Média. Isso porque ela foi criada pelo Rei Henrique III, em 1253, para os comerciantes de Scarborough, em Yorkshire, ao norte da Inglaterra. O evento durava 45 dias do ano e foi realizado de até 1788.

Este final de semana, tomei um trem a partir de Manchester, e 44 Libras depois (o exorbitante preço da passagem) e duas horas e meia de viagem, cheguei para conferir o balneário chique da Inglaterra, imortalizado nas bocas de trovadores e de roqueiros do nosso tempo.

A primeira impressão é a de uma cidade sofisticada, apesar do pouco tamanho. Com um SPA de luxo, teatros elegantes, restaurantes estrelados, hotéis exuberantes e uma praia simpática, mas pouco amigável, Scarborough parece uma fotografia. Tudo é bem colorido, organizado, harmonicamente construído para ser apreciado de um ângulo distante. A enseada da praia, em “c”, emoldurada por colinas verdes; no topo, as ruínas do castelo de 1154, habitado por Henrique II; na base, cassinos, rodas-gigante, Fish & Chips e uma marina cheia de embarcações e gaivotas, relembrando que um dia a cidade foi uma importante base de negócios pela sua posição privilegiada no mapa de UK.

A feira não existe mais, mas deixou de herança um Mercado, que vende de comida a souvenirs, sem a pretensão de ficar para a história sob o “reinado de Gordon Brown”...

Um dia é o suficiente para explorar Scarborough. A caminhada para o castelo pode render belas paisagens, porque conduz da baía Norte à Sul, costeando a praia do alto. A visita às ruínas do castelo, entretanto, é paga, então como minha idéia era economizar, fiz do caminho em si o meu destino, e sem rumo certo por tomar, apreciei a beleza natural e a medieval, perdendo-me pelas ladeiras no entorno sinuoso e fotogênico da enseada.

Neste cenário de tirar o fôlego, esqueci que era turista, fui uma feirante da história, escolhendo entre os melhores ângulos para focar e, devagar, fui enchendo meu “carrinho” de lindas imagens para congelar na memória e saborear sempre que tiver fome de passado, de viver, de sonhar...

Eu fui, e você, “are you going to Scarborough Fair”?



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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Coisa de cinema!



Ir ao cinema aqui em UK é uma diversão. Há tantas opções de salas, que quem sai ganhando mesmo é a audiência. As mais populares são as do grupo Odeon (presente também dentro do complexo Printworks, em Machester) e Cineworld, que estão espalhadas em todas as maiores cidades. São bem semelhantes ao padrão Cinemark no Brasil: cadeiras confortáveis, petiscos, pipocas e ingresso salgados!.

Mas quem quer mais do que assistir um filme, pode optar por um “cinema experience”. Em Manchester, para quem gosta de cinema independente, pode-se assistir a filmes estrangeiros descolados no Cornehouse, um espaço alternativo que contém café e galerias de arte e vive badalado.

Se a idéia é assistir aos filmes do momento, uma sugestão é ir ao Savoy, um simpático e antigo cinema (o meu preferido, diga-se de passagem!), no bairro de Heaton Moor, em Stockport, que tradicionalmente, após rodar os trailers dos próximos filmes e antes de iniciar o que está em cartaz, fecha suas cortinas e faz uma inesperada pausa: num momento de suspense, desce por seu corredor central, o simpático funcionário que estava na bilheteria, carregando uma bandeja de variados sorvetes e fica plantado em frente à tela até que os presentes formem uma fila e comprem com ele os seus preferidos. Passada a larica coletiva, o funcionário retorna à bilheteria e ao término da sessão fica na saída, agradecendo pela presença e se despedindo de todos. Algo divertido e que se tornou uma atração local respeitada! Ah, o valor do ingresso é o menor de todos: 4,5 Libras por pessoa.

Em Londres, é famoso o Empire, com suas cinco salas ultra-modernas na Leicester Square. É lá onde acontecem muitos lançamentos de filmes, com a participação das estrelas principais para o deleite dos tietes de plantão.

Caso a idéia seja sentir-se uma estrela, em vez de apreciá-las desfilando sobre o tapete vermelho, com algumas libras a mais, basta ir ao Eletric Cinema, no bairro de Notting Hill, também em Londres, e sentar-se em uma de suas estupendas poltronas, tomando champanhe e degustando uma seleção gourmet caprichada, feita na hora pelo chef. O cinema relembra um palácio por dentro e exibe uma quantidade imensa de filmes por mês.

Em Edimburgo, a atração é o Film House Cinema , que já foi uma igreja e hoje é palco do Festival Internacional de cinema da cidade. Com o programa mais variado da Escócia, o cinema já teve entre seus presentes Martin Scorsese, Andrei Tarkovsky, Sean Connery e James Mason.

No verão, em muitas cidades são montados cinemas a céu aberto, o que gera uma atmosfera mágica e inesquecível!

Dicas: os ingressos custam de 5 a 20 Libras, dependendo do cinema, da sessão e do dia da semana, mas a maioria dos cinemas oferece cartões fidelidade, com descontos progressivos de acordo com a freqüência do usuário. Outra coisa, quem tem celulares da Orange, pode comprar 2 ingressos pelo preço de 1 às quartas-feiras!

Com tantas alternativas, “pegar um cineminha” se tornou parte obrigatória do roteiro de quem passa pelo UK!