segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Scarborough Fair


















Quem já não escutou a linda canção “Are you going to Scarborough Fair”, de Paul Simon e Garfunkel, que embala o relacionamento do mau elemento Ben Braddock, interpretado por Dustin Hoffman, com sua namorada e sua “sogra” (mais conhecida como Mrs Robinson) no clássico “A primeira noite de um homem”?

Pois sim, a feira entoada na balada é uma das diversas versões que derivam de causos da idade Média. Isso porque ela foi criada pelo Rei Henrique III, em 1253, para os comerciantes de Scarborough, em Yorkshire, ao norte da Inglaterra. O evento durava 45 dias do ano e foi realizado de até 1788.

Este final de semana, tomei um trem a partir de Manchester, e 44 Libras depois (o exorbitante preço da passagem) e duas horas e meia de viagem, cheguei para conferir o balneário chique da Inglaterra, imortalizado nas bocas de trovadores e de roqueiros do nosso tempo.

A primeira impressão é a de uma cidade sofisticada, apesar do pouco tamanho. Com um SPA de luxo, teatros elegantes, restaurantes estrelados, hotéis exuberantes e uma praia simpática, mas pouco amigável, Scarborough parece uma fotografia. Tudo é bem colorido, organizado, harmonicamente construído para ser apreciado de um ângulo distante. A enseada da praia, em “c”, emoldurada por colinas verdes; no topo, as ruínas do castelo de 1154, habitado por Henrique II; na base, cassinos, rodas-gigante, Fish & Chips e uma marina cheia de embarcações e gaivotas, relembrando que um dia a cidade foi uma importante base de negócios pela sua posição privilegiada no mapa de UK.

A feira não existe mais, mas deixou de herança um Mercado, que vende de comida a souvenirs, sem a pretensão de ficar para a história sob o “reinado de Gordon Brown”...

Um dia é o suficiente para explorar Scarborough. A caminhada para o castelo pode render belas paisagens, porque conduz da baía Norte à Sul, costeando a praia do alto. A visita às ruínas do castelo, entretanto, é paga, então como minha idéia era economizar, fiz do caminho em si o meu destino, e sem rumo certo por tomar, apreciei a beleza natural e a medieval, perdendo-me pelas ladeiras no entorno sinuoso e fotogênico da enseada.

Neste cenário de tirar o fôlego, esqueci que era turista, fui uma feirante da história, escolhendo entre os melhores ângulos para focar e, devagar, fui enchendo meu “carrinho” de lindas imagens para congelar na memória e saborear sempre que tiver fome de passado, de viver, de sonhar...

Eu fui, e você, “are you going to Scarborough Fair”?



Um comentário:

Yara disse...

Once upon a time there lived a semi barbaric girl which destiny have been traced by gods in the medieval streets of Scarborough. In a cold, windy afternoon, she met a completely barbaric boy and they started a magic mistery tour through the kingdom...

Essa história que eu contei é verdadeira e fabulosa, e está acontecendo a olhos vistos e a blogs lidos. Vejam vocês também para saberem como um olhar sensível e um estilo literário excelente podem nos levar por reinos desconhecidos com grande prazer.

Parabéns, Ma, seu texto está fabuloso! Sua vida, então, nem se fala...

YBM