quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Whitby - um lugar para escrever o nome na história!


Vista do píer!


O famosos Mapgpie Caffe


Pequena torre no extremo do píer


Terra à vista!!!


Homenagem ao descobridor da Austrália!


Ruínas da Abadia de Whitby!







Pense rápido: o que Drácula, Santa Hilda e o capitão James Cook,têm em comum?

Pois bem, fora o fato de que os três já morreram (e de que o primeiro deve ter ido para o inferno, de que a santa deve ter ido para o céu e que o capitão deve estar perambulando em navios-fantasma mundo afora), todos têm a cidade de Whitby como a maior testemunha de seus feitos.

Ao norte da Inglaterra, a três horas de Manchester (de trem) e a 40 minutos de Scarborough (via ônibus Arriva – 93 ou 93 X – que têm saídas de hora em hora), encontra-se a pequena Whitby, com sua singela praia, dramáticos penhascos e uma linda marina rodeada por casinhas de pedra da idade média. A “Old Town”, ou cidade Velha, é marcada pelas casinhas amontoadas em torno do porto. Ao alto da colina, a St Mary’s church, próximo a ela, as ruínas da Whitby Abbey. A cidade reflete um passado tão célebre, que seu aparente anonimato só pode ser fruto da modéstia típica dos ingleses.

A história de Whitby remonta ao século VII, quando Hilda, a filha do primeiro rei cristão da Inglaterra fundou o monastério de Whitby em 657, que mais tarde veio a ser a Abadia de Whitby. Depois de viver 33 anos na corte, com todos os luxos que podia ter, sendo cortejada por todos, retirou-se com a irmã e algumas companheiras para as margens de um rio, para viver religiosamente. Seu estilo de vida inspirou muitas pessoas a agir da mesma forma, e muitos milagres foram atribuídos a ela, como o de ter tornado Caedmon - um trabalhador analfabeto da igreja - no que hoje é considerado por muitos, de o pai dos poetas ingleses. Com isso, a boa moça acabou santificada e assim, imortalizada. Já a abadia, foi destruída posteriormente por Henrique VIII, o mesmo que guilhotinou a sua esposa Ana Bolena (entre outras muitas maldades) e que se tornou líder da igreja anglicana.

Mil anos depois, a cidade abrigou o pioneiro da exploração do Oceano Pacífico e descobridor da Austrália, o ilustre comandante James Cook. Nascido em Marton-in-Cleveland, Yorkshire; em 1746, ele se mudou para Whitby, onde estudou náutica, matemática e astronomia. Dez anos depois, Cook ingressou na Marinha britânica e foi incumbido de fazer as três viagens de circunavegação que acabaram por torná-lo um dos maiores cartógrafos e exploradores da história . Em uma delas, o capitão passou até pelo Rio de Janeiro (deve ter deixado alguns marujinhos no porto de lá!)!

Quase 200 anos depois das façanhas do Capitão Cook, foi a vez de Bram Stocker escrever seu nome na história de Whiby. Foi lá que sua criação mais ilustre deu o sangue, ou melhor, bebeu o sangue de vítimas indefesas. Muitas passagens de Drácula, a obra que o "consa(n)grou", passam-se em seus penhascos e na mórbida Saint Mary’s Church, a igreja que é inteiramente feita de madeira por dentro e cercada por centenas de túmulos pelo lado de fora.

Hoje, Whitby recolhe os frutos de seu passado célebre. Multidões de turistas circulam por todos os lados, alguns góticos, idolatrando vestígios de Drácula, outros embarcando em cruzeiros de um dia na réplica do “Endeavour”, o navio que levou o Capitão Cook a desvendar os sete mares, e muitos a comer fish & ships no tradicional Magpie Caffe após horas na fila em busca de uma mesa que os reportasse aos tempos em que o lugar era um ponto de encontro de marujos e altos oficiais da marinha britânica.

Para apreciar tanta história, é preciso certo afastamento no tempo; para apreciar toda sua graça, um certo afastamento no espaço, por isso, se um dia for a Whitby, prepare-se para enfrentar a resistência dos ventos e rumar pelo píer até o seu final. De lá, sim, será possível enxergar o porquê dessa pequena notável ter inspirado tanta gente a brilhar... Quem sabe, o próximo a brilhar não pode ser você?

3 comentários:

Yara disse...

Um afastamento no tempo e no espaço... Nossa! isso pode soar meio literário, mas acho que na verdade é o que deve acontecer quando se mergulha num ambiente em tudo diferente das nossa referências, com cores, cheiros, sons completamente diferente dos que conhecemos. Pessoas, então, que são baluartes de seus entornos, devem trazer as mensagens não faladas mais instigantes ainda. Esse encontro de realidades passadas e presentes, não chegam a ser uma troca; acho que são mais um embate de questões metafísicas, quando não se sabe por que se está ali naquela hora e não se esteve antes, quem somos agora que não fomos antes, o que está acontecendo nos diferentes niveis do tempo e do espaço...
Muito bom um lugar onde santidade e satanismo convivem com aventureiros e turistas.
Adorei.

Elaine Leme disse...

Ae, amiga..aproveitando muito ai?

O texto está simplesmente fantastico. adoro sua narrativa.

Ma, só uma obs...coloque titulo nas fotos...

beijão e saudade

Marina disse...

Aproveitando muito sim...Que bom que gosta dos textos!!!Ah, Elaine, seu pedido foi atendido!!!
Obrigada!!