quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Eco-friendly UK!


Os engajados ingleses contra a insustentável expansão de Heatrow!


Tesco eco-bags!

Uma das coisas que mais chamou minha atenção aqui em Manchester quando cheguei foi a consciência ambiental do britânico. Ruas limpas, campanhas para que a população utilize o transporte público em vez do carro, coleta seletiva do lixo...

Quando saí do Brasil, em maio de 2008, só havia coleta seletiva do lixo em poucas regiões, apenas se houvesse procura dos moradores, ou em pontos como o Pão de Açúcar, que coleta e recicla. Mas, diferentemente do que ocorre por lá, aqui a coleta seletiva é levada muito a sério.

Os sacos plásticos que embalam o lixo são diferentes de acordo com o conteúdo: azul para recicláveis; preto para lixo orgânico; travessas pretas para os vidros e grandes lixeiras verdes para o lixo de jardinagem, como galhos, folhas e flores mortas. Além de a coleta ocorrer semanalmente, quem misturar os lixos corre o risco de ter o saco recusado pelos lixeiros no ato da coleta, ou até mesmo de receber uma multa, caso coloque o lixo para fora no dia errado.

O uso dos saquinhos de supermercado também está sendo gradualmente marginalizado e abolido. Muitas das lojas oferecem descontos para os que carregam suas sacolas retornáveis (eco-friendly, vendidas em todo lugar e super na moda!) ou carrinhos de compras, e algumas delas cobram por volta de 5p (aproximadamente 20 centavos de Real) por cada sacola plástica que o consumidor pedir para embalar suas compras. Vale acessar o blog Deplasticize your life (algo como “desplastifique sua vida”) para saber mais sobre o quão nocivo o plástico é para o meio ambiente!

O tema da sustentabilidade está sempre em pauta nos jornais, no meio acadêmico, no dia a dia do britânico. Nada mais comum do que ver mães e pais andando cedinho, na chuva, na neve, em meio ao fog, com grupos de 7, 10, 12 crianças para levá-los à escola; uma iniciativa que começou com campanhas dos conselhos da cidade para reduzir a emissão de C02 proveniente dos veículos. São ações pequenas ainda, mas que parecem estar começando a provocar uma onda de mudanças eco-friendly, que vieram para ficar!

Não há como comparar as distâncias aqui e as distâncias em SP, bem como o nível de segurança, a qualidade do transporte público, nem o engajamento da população com a causa ambiental, quando tantos outros temas vêm primeiro na lista de prioridades do brasileiro; mas penso se não daria pelo menos, para despertar o interesse e a preocupação com o meio ambiente na educação e do estilo de vida insustentável do brasileiro?

Nem Al Gore, com suas verdades inconvenientes, nem os Katrinas da vida, nem o Greenpeace e todas as ONGs ambientais, com seus apelos, fotos dramáticas de rios secando, animais sendo extintos, florestas sendo desmatadas e outras tragédias reais afins, vão conseguir mudar o mundo se cada um não perceber que é na própria mudança que está a esperança de um futuro sustentável.

Não é preciso ir à lua para dizer: “Um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para a humanidade”; basta olhar para os lados! Começando a cuidar do seu próprio lixo, reduzindo o uso do carro (que tal agitar umas caronas, o dia do busão e aproveitar a sexta-feira casual para estrear o tênis numa caminhada até o trabalho?); adotando uma sacola reciclável para fazer as compras... Pequenas coisas que fazem uma grande diferença!

O blog da Veja do Denis Russo,(um amigo de família há anos) fala disso, e o nome com que ele o batizou resume bem como imagino que deva ser a partir de já, o pensamento e prática de todos nos, brasileiros ou britânicos, se quisermos evitar que se realizem as profecias menos amigáveis a respeito do futuro do nosso planeta: Sustentável é pouco!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

O futebol brasileiro e nós em campo no UK!


A paixão não é só fachada!


Meca do torcedor brasileiro em Manchester!


Pé na bunda do craque!!

Ontem cedo, Mário e eu fomos à estação de trem de Stockport comprar passagens para viajar para Windermere, no Lake District, a terra encantada de Beatrix Potter. O que não imaginávamos é que o atendente que nos vendeu as passagens, além de garantir nossa viagem para o próximo final de semana, também nos daria o passe perfeito para bolar a programação do próprio domingão!

O fato é que o moço era conversador e resolveu falar de futebol... Moral da história, ele nos deu uma aula sobre os jogadores brasileiros que estavam no Manchester City, mostrando que estava bem mais por dentro do que nós no quesito “brazucas em campo”! E para não dar bola fora, resolvemos rumar dali para o Estádio do City, o clube que tem como jogadores Elano, Jô e Robinho.

Dizem que o sonho do sheik Mansour bin Zayed Al Nahyan, o cabeça do clube, é montar um time só de brasileiros. Recentemente, foi notícia no mundo todo a oferta milionária que ele fez para trazer o Kaká, do Milan para cá. Entretanto, parece que nem a campanha do polêmico Robinho, que tirou seu time de campo e desapareceu misteriosamente dos seus treinos em UK e surgiu pedalando no Brasil bem na ocasião da proposta para o amigo (escapada que lhe rendeu uma multa equivalente a quase 1 milhão de Reais pelo clube) adiantou, e Kaká frustrou o sonho do sheik ao preferir continuar brilhando sob o sol do Milan a se encharcar sob as chuvas do Manchester...

Fofocas à parte, descobrimos que o clube fica na Sportcity, uma região toda futurística de Manchester, construída para abrigar os jogos do Commonwhealth Games, em 2002. Composta pelo estádio do Man City, velódromo, quadras de tênis e squash, pista de atletismo e academias, a Sportcity é a maior concentração de espaços dedicados à prática de esportes da Europa.

Quando chegamos lá no entanto, para nossa frustração, o museu e a visitação ao campo do City já tinham sido encerrados, mas a lojinha ainda estava aberta e demos um pulinho lá para captar um pouco do espírito do clube. Pelos vídeos que passam nos telões, a quantidade de camisetas com o nome de brasileiros e a fartura de bandeiras verde e amarelas, deduzimos que o futebol do Brasil é mesmo a paixão do sheik.

E graças ao futebol do Brasil, sentimos que existe certa simpatia do mundo em relação ao brasileiro. Pelé, Sócrates, Felipão, Kaká, Robinho, o "nosso futebol" é o assunto que quase sempre inaugura os bate-papos, quebra o gelo, aproxima as pessoas por aqui. E não dá para deixar para escanteio um esporte que se faz de metonímia, onde seu sucesso é (perigosamente) estendido ao seu povo, e que nos traz um mérito à priori, nos colocando numa condição de pessoas “especiais”, “exóticas”, “interessantes”. Porque é assim que somos vistos aqui, apesar de tendermos a imaginar que nos enxerguem como “cucarachos terceiro mundistas”.

Assim, voltando ao atendente da estação de Stockport, sou grata a ele. Tive que reconhecer que mesmo não gostando de futebol, é preciso “vestir a camisa” verde e amarela aqui em UK, porque muito provavelmente, será à custa dela que você, tupiniquim, vai colorir o sempre cinza céu de UK!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Beijos proibidos!!!


No more kisses...

Que o inglês é meio travado, todo mundo já sabia; o que não se imaginava é que, dadas suas raízes protestantes, também fossem puritanos!!!

Nada mais de despedidas melosas, beijos sem fim nas plataformas românticas da Terra da Rainha, porque de acordo com auoridades britânicas, os beijos apaixonados são os culpados pelos atrasos nas saídas dos trens! E nada mais insuportável para um inglês do que os atrasos! Eta, povo atrasado...

Até plaquinha de "proibido beijar", eles tiveram a pachorra de fixar na Warrington Bank Quay, logo depois do Valentine's Day! Apenas os apertos de mão e abraços secos serão permitidos, então, o jeito vai ser levar o par junto na viagem, ou deixar para a véspera uma despedida mais molhada!

Prestes a ser rebaixado da categoria de romance para a de ficção, os beijos em UK podem estar fadados ao confinamento da telona, sem licença para uma baldiação nas cenas da vida real. Um jornal inglês acaba de eleger os beijos mais bonitos da história do cinema, num saudosismo talvez, de uma era em que ainda era permitido beijar...

Por enquanto, a marginalização do beijo está restrita somente a uma estação, mas se outras aderirem, a coisa pode virar regra; e aí resta saber se os beijoqueiros vão respeitar a caretice Real e tomar o tal trem sem despedida, ou se vão preferir perder a hora e embarcar num bonde chamado desejo...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Londres: mesmo quando é ruim, é bom!!


Vista do Tâmisa: não dá vontade de voltar???


Quidam no Albert Hall


Mário e eu no Albert Hall


Quando soube que meu sogro viria passar uma semana aqui em casa, tratei de organizar uma agenda de eventos para garantir que ele aproveitasse o máximo de UK. A primeira de muitas das acrobacias que precisei fazer durante estes dias, foi conseguir ingressos para assistirmos ao Cirque du Soleil, a 22 Libras cada um. Isso porque, a idéia inicial era a de assistirmos ao jogo de futebol Brasil X Itália, mas com ingressos a 70 Libras, tratei de mudar de foco e de palco para entreter o sogrão.

Quidam, o novo show da trupe foi no majestoso Albert Hall, em Londres. Como já tinha assistido ao Saltimbanco e ao Afrika! Afrika! (em Manchester), que segue a linha do Cirque, acabei ficando meio desapontada com o Quidam. Só pelo fato de assistir o espetáculo num teatro e não numa tenda, já é esquisito. Não há um clima inicial, nem tendas com música, bar, restaurante temáticos ou as ornamentações circences dando o clima que antecede a apresentação. O show é menos ousado nas performances dos atletas, ou atores; com exceção das pequenas meninas orientais que dão um baile de coordenação e graça com pequenos jabolôs. Aliás, todo o show parece ser inspirado nas cordas e algumas palhaçadas. Nada de surpreendente, que me fizesse querer sair de lá e ir direto para a academia ou me dependurar em postes e paredes, como aconteceu no Saltimbanco e no Afrika!

Levemente decepcionada com o Quidam, esperei por fortes emoções no Aquário de Londres, a parada do dia seguinte na capital inglesa. Cenário de algumas das cenas do filme Closer, em frente ao Tâmisa e ao elefante de Dalí, o aquário também decepcionou... Pagamos metade do ingresso, porque apenas metade das atrações está aberta ao público em função de uma reforma completa do aquário. Bom, nem é preciso dizer que não teve nem metade da graça que esperávamos. Mesmo assim, valeu como passeio para entreter a "sogritude"...

Saindo do aquário, fomos almoçar num buffet chinês logo na entrada do prédio. Logicamente, que fomos lá por conta do "eat as much as you can", por 5 Libras. Bom, o clichê veio a calhar e o barato saiu caro, porque apesar da boa aparência do buffet, a comida era bem gordurosa e, se por um lado não pesou nada no bolso, por outro, pesou o dia inteiro no estômago!

Ainda pegamos muita chuva, muito vento, muito frio. Fomos à Harrods, lotada e fora do nosso escopo financeiro; fomos à City, monumetal e inacessível; fomos ao Palácio de Buckinham, mas não teve troca da guarda; fomos a um Cirque menor, a um aquário mutilado, a um chinês indigesto... E perdemos um jogão do Brasil (2 a 0 para o Brasil!), porque a partida foi bem no horário do nosso trem de volta para Manchester!

Entretanto, nem todas as programações foram mal sucedidas. Andando sem rumo pela Regents Street, nós nos deparamos com uma mega store da National Geografic!
Pois é, o que conhecemos como uma revista de povos e culturas é uma instituição de expedições e de caráter científico que tem, além de inúmeros projetos pelo mundo, uma loja imensa de departamentos, com produtos que vão desde as tradicionais revistas até roupas e equipamentos especiais para viagens aventura e objetos de decoração.

Dentre algumas das "atrações" da primeira loja da National, que foi inaugurada neste mês, está uma câmara projetada para reproduzir as condições climáticas do ártico, onde pode-se testar as vestimentas térmicas da grife; uma ala com fotografias premiadas e que estão à venda, brinquedoeca, um café gourmet maravilhoso e uma atmosfera mágica, que parece nos transportar para as páginas da revista. Ah, para quem preferir ser atendido em português, procure pela simpatissíssima Gabriela, que trabalha lá! Uma passada na National pode restaurar as energias e dar um pique extra para explorar a capital!

National à parte, pode parecer que esse é um post baixo astral, meio garota-enxaqueca, meio nora em neura; mas não desanime; saiba que apesar de ter sido quase tudo meia-boca, Londres é como chocolate: "mesmo quando é ruim é muito bom! E deixa na boca gosto de quero mais, gosto de felicidade, saudade... Mesmo em crise, mesmo no inverno, mesmo com azar, Londres dá gosto de voltar!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O Inverno em UK: que seja eterno enquanto dure, ou...


Foto de Paula Mello Wigan



Quando vim morar na Inglaterra, sabia que encararia um inverno bem diferente do do Brasil, mas não imaginava que fosse assim, tãaaao diferente. Primeiro, porque todos me diziam que era bem raro fazer menos do que zero graus por aqui; e em segundo lugar, porque dadas as previsões das correntes “Al Gorianas”, com o aquecimento global, eu deveria esperar encontrar um clima mais ameno e não mais extremo!

Na verdade, dado o “verão” que passei aqui, deveria imaginar que o inverno fosse quase insuportável, mas custei a acreditar nos fatos e perceber que os termômetros britânicos não passariam além dos 3, 4 graus...

Dezembro foi um dos meses mais frios que a Inglaterra já enfrentou na história; aqui em Manchester; chegou a fazer -9 graus de madrugada!! Tivemos temperaturas semelhantes às da Rússia por aqui, mas sem a infra-estrutura que eles têm para suportar tamanha “friaca”! Isso porque por lá, todos andam com cobertores e produtos anti congelante dentro do carro, dirigem com correntes nos pneus e têm um guarda-roupa menos fashion e mais funcional do que os britânicos.

A primeira neve que vi cair em Manchester foi no dia dois de dezembro, uma nevinha fajuta, mas simpática. Exatamente um mês depois, veio a maior nevasca das últimas duas décadas em UK. E no dia dois de fevereiro, escolas, aeroportos e hospitais não funcionaram; nem os metrôs, nem ônibus, nem os carros circularam e, para piorar, algumas cidades ficaram sem suprimento de gás, deixando milhares de pessoas sem aquecimento em casa. E esse é um fantasma que assombra a vida dos britânicos: a ameaça do corte de gás, que é feito pela Rússia. Recentemente, o governo russo se estranhou com o da Ucrânia e ameaçou cortar o suprimento de gás para a Europa! Imagine o frio na espinha que isso não causou aqui por essas bandas semi-polares!

Gordon Brown tem sido criticado nos jornais por não ter tomado medidas preventivas para lidar com as intempéries climáticas, que se por um lado trouxeram caos a UK, por outro trouxeram a alegria de crianças e turistas, em pleno dia útil, fazendo guerras de neve e construindo gigantescos “snowmen” nas ruas fofas e brancas da ilha real!

Mesmo sentindo muito frio, esquecida de minha forma humana, dada a quantidade patética de roupas que preciso vestir para não petrificar nas ruas; mesmo desbotada e da cor da neve; mesmo desesperada por uma brisa quente à beira-mar, posso dizer que a experiência do inverno em UK é incrível!

Sei que sentirei saudades de ver flocos brancos rodopiando no jardim de um lado para outro numa manhã branca, e de ter a sensação de êxtase ao voltar da rua congelante e entrar em minha calorosa e aconchegante cozinha, e de grudar nos aquecedores da parede para um chá da tarde, e de deitar correndo debaixo de 2 edredons e um protetor de colchão elétrico enquanto aprecio ventos e fog do lado de fora...

Mas sei também que essa nostalgia do inverno europeu, essa saudade que eu já sinto do frio daqui só existe porque sei que não terei mais essas sensações e visões; então que venha com força total, com mais neve, com mais frio, com mais ventos; e “que ele seja eterno enquanto dure”, ou pelo menos enquanto durar o gás que vem da Rússia!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Cowny e Llandudno, no inimaginável País de Gales!


Speak Welsh?


"Capricórnios" da Snowdonia!


No topo da Snowdonia


Passagem em Conwy


Snowdonia


Castelo de Cowny

Uma das melhores coisas que se consegue ao tirar o visto para vir para o Reino Unido, é o acesso livre a quatro países: a Inglaterra, a Escócia, a Irlanda do Norte e o pequenino País de Gales. E foi para lá que nós fomos neste final de semana!

Apenas a duas horas e meia de trem de Manchester, chega-se a um lugar completamente diferente da Inglaterra; às cidades galesas vizinhas de Llandudno e Conwy. Com nomes difíceis de pronunciar (algo como landnu e comn-uí), assim como todas as outras palavras do idioma oficial do País- o welsh, ou galês - a região tem cenários improváveis, que contestam nosso hábito de compreender por comparação. O conjunto de elementos que Llandudno e Conwy forma, as torna cidades ímpares, incomparáveis, quase incompreensíveis.

Dispostas em meio a um vale, em lados opostos do mar, elas se separam por incríveis montanhas nevadas, a fabulosa região da Snowdonia. Enquanto Llandudno faz a linha balneário de luxo da década de 50, com uma orla majestosa, um píer que se perde em meio ao mar revolto, centenas de gaivotas e uma imensidão de hotéis e restaurantes; Conwy se impõe medieval, emoldurada por muralhas do século XII, ao redor das ruínas de um castelo imponente e de uma marina repleta de barcos de pescadores e de veleiros e iates de todos os tamanhos, que nos fazem relembrar que na verdade, estamos no século XXI.

Para sentir esse contraste, nada melhor do que percorrer a pé todo esse cenário. Partindo de Llandudno, há um caminho que conduz à Conwy costeando uma praia intocada pelo homem. Andando por esse caminho, não há como não iniciar-se em um processo de deslumbramento, que acompanhará o viajante por toda essa viagem a Gales.

Após algo em torno de uma hora e meia dessa caminhada, além de um mar selvagem contido por montanhas nevadas, o Castelo de Conwy também começa a fazer parte dessa paisagem. Na extremidade de uma ponte, num braço de mar, ele se destaca o protagonista dessa cidade tão peculiar. A visita ao castelo custa aproximadamente 5 Libras por pessoa e oferece vistas impagáveis. Saindo do castelo, é imperdível percorrer todo o comprimento da muralha, a fortaleza que um dia escondeu Conwy e que hoje é quem a expõe ao mundo.

A muralha tem 3 saídas, mas a que desemboca na Rosemary Street é a melhor de se tomar. Dalí, é preciso explorar toda a pequena extensão de Conwy, conhecendo suas igrejinhas, casas de chá, lojas de souvenir e as construções tão bem preservadas que dão à cidade uma aura de "encarnações passadas"...

Tendo conhecido as irmãs que nunca se tocaram, Llandudno e Conwy, é preciso conhecer aquela que as separa e assim lhes dá identidade, as montanhas da Snowdonia. A região montanhosa ao noroeste de Wales é desde 1951 um parque nacional, o terceiro mais visitado da Grã Bretanha. E não é por menos, porque diferentemente da maioria das regiões montanhosas com neve, muitas das montanhas da Snowdonia são também acessíveis aos andarilhos menos preparados.

Sem cordas, cajados, cantil, ou maiores cuidados, tomando o atalho pelo Great Orme, um parque ecológico que fica em Llandudno, é possível alcançar o cume de uma dessas montanhas e maravilhar-se com um espetáculo de 360 graus de vista de mares, castelos, povoados longínquos, escavações da Idade do Ferro, os vestígios de um passado druida e um infinito presente de montanhas cobertas por neve, a milhares de quilômetros de distância.

No cume do Great Orme há um parque com certa infra-estrutura, mas só é ativo de março a outubro. Nessa época também é possível chegar ao topo do cume de trem, um passeio que parece ser bem interessante.

No trajeto, se tiver sorte, como nós, o viajante pode se deparar com animais exóticos, que completam a paisagem única da Snowdonia. Não sei o que seriam na verdade, mas gostei de pensar que eram como eu, capricórnios, explorando montanhas, elevando o espírito a altitudes metafísicas, astrológicas, cumprindo seu destino na roda da vida, por searas além da imaginação...

Llandudno

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