No topo do Vittorio Emanuele II, em Roma
Vaticano
Nós, em Bérgamo
Vista da Ponte do Rialto em Veneza
Numa ponte em Veneza
Brasileiro que está em UK nunca se satisfaz e quer sempre dar uma "esticadinha" mapa afora. Isso porque quem está por aqui tem sempre a impressão de estar meio deslocado: o dinheiro é a Libra, não o Euro; o motorista dirige do lado esquerdo, não do direito e estamos de fato, ilhados por água de todos os lados. Assim, este post é uma licença poética, um respiro de brasileiro, que trocou a Coroa por uma Bota, numa semana de setembro...
Sempre tentando economizar, planejei a viagem com bastante antecedência. As passagens de avião, trem e ônibus, bem como as diárias em hotéis acabam custando significativamente menos dessa forma. Os hotéis, eu reservei pela internet, utilizando o perfeito site Booking.com e as passagens eu comprei pela Rynair, Manchester - Bergamo, por 10 Libras ida e 52 Libras volta. Mas para isso, precisei comprá-la 2 meses antes da viagem, levar apenas bagagem de mão (apenas 1 volume e 10 kgs no máximo, pois para despachar bagagem se paga e o excesso de peso custa 15 Libras por quilo extra!), abdicar do seguro-bagagem (que cobre extravios), seguro reembolso (caso perdesse o vôo) e um pouco da minha auto-estima, porque sendo uma típica Low Cost, a Rynair não oferece nem água durante o vôo, tem assentos mais espremidos do que o padrão de classe econômica e não marca os assentos.
O roteiro foi enxuto: Bérgamo, Veneza e Roma, em 6 dias. Bérgamo é uma cidade linda, no alto das montanhas, ao norte da Itália, perto de Milão. Por isso, optei por ficar por lá ao invés de ir para sua vizinha cosmopolita. O aeroporto Orio Al Serio fica a 10 minutos da ferroviária e a 45 minutos de Milão. A cidade é divida em Città Alta e Città Bassa. A Alta é medieval, cercada por muralhas, cheia de ruinhas estreitas de pedra e lindas construções que datam do século XIII. A Baixa é moderna e vive bastante em função da parte alta. É possível ficar a pé, apesar das escadarias judiarem dos físicos mais bem preparados, mas a tortura compensa, e o que se tem ao chegar ao topo é uma vista impressionante, um sem-horizonte de tirar o fôlego, ou aquilo que restou dele.
Como dormi apenas 1 noite em Bérgamo, preferi pernoitar num hotel ao lado do aeroporto e conseqüentemente, da ferroviária. O lado bom é que economizei no taxi, ganhei tempo, dormi num hotel excelente e, na volta para Manchester, 5 dias depois, tive onde deixar a bagagem o dia todo para poder passear antes de ir para o aeroporto. O lado ruim é que nesta localização os hotéis são mais caros, e paguei 134Libras por 1 noite no Hotel Mercure (30% mais em conta porque reservei com muita antecedência e optei arriscar pela diária Non-Refundable e paga no ato da reserva.
De Bérgamo, tomamos o trem para Veneza (26 Euros por pessoa), que fica a 3 horas dali. Por milagre, as passagens para este trecho eu consegui comprar pelo site da Trenitalia com antecedência e isso poupou tempo e filas na estação, mas os outros, eu tive que comprar na estação, porque o site da Itália é péssimo e dificilmente completa a compra sem expirar. Também é preciso ficar muito atento nas estações, porque os tíquetes devem ser validados em pequenas máquinas amarelas antes do embarque, que por sua vez é confuso, pois os "Binários" (plataformas) mudam toda hora e isso só é anunciado em italiano, (quando é anunciado!)
Uma dica importante: desista de querer ir ao banheiro na Itália; o que se tem por lá em muitos lugares é o banheiro turco, ou seja, um simples furo no chão! É um terror mesmo, então o melhor é não beber nada na rua para não passar aperto depois, ou apelar para as intermináveis filas do Mc Donalds, se tiver a sorte de encontrar um por perto!
Chegando a Veneza, prefira descer na estação Santa Lucia, que é bem central. Uma opção é ficar em um hotel bem próximo dali para não precisar circular com a bagagem pelas ruinhas estreitas e lotadas, escadarias intermináveis e pontes gigantescas da cidade. Eu fiquei num hotel/albergue excelente: Residenza Ca’Dario, que fica a 5 minutos da estação e a 10 da Piazza San Marco. Não foi preciso tomar nenhum ferry ou vaporetto para me deslocar por tudo e ainda foi uma estadia aconchegante e econômica (95 Euros pelo quarto), porque Veneza é caríssima!
Nem é preciso divagar sobe esta cidade de sonho que é Veneza. Um lugar que parou no tempo, onde os canais, gôndolas, pombas, máscaras, música, pontes, igrejas, restaurantes, vielas labirínticas e luzes inspiram paixões e histórias Shakespearianas. Para turistas mais ágeis (e sem grana), 1 dia em Veneza basta para conhecer as principais atrações. Para os mais requintados, 2 dias são o suficiente. Mas é fundamental passar por lá, porque a cidade está mesmo afundando e há pontos que já estão alagados continuamente, independentemente da estação do ano.
Uma sugestão para a hora em que a fome bater: evite pedir o Menu Turístico, que cobra em média de 15 a 23 Euros por pessoa, incluindo (entrada, prato principal, sobremesa e uma bebida. Pode parecer uma boa alternativa, mas em geral eles são bem ruins e mal servidos.
Depois de Veneza, seguimos para Roma, porque é lá que está o berço de toda a história do Ocidente; e eu penso que é conhecendo nossa história que entendemos o nosso presente. A viagem de trem deste trecho (Santa Lucia – Roma Termini) é operada pela Eurostar, não pela empresa regional, então custa mais caro (59 Euros por pessoa), mas vale a pena pelo conforto, pelo banheiro, vagão restaurante e organização. Em Roma, ficamos na casa de uma amiga, então aproveitamos essa economia e gastamos para comer bem, porque em Veneza comemos bem mal...
Tudo em Roma é estupendo. As proporções das construções nos devolvem a clareza de nossa insignificância e remetem a um passado de glórias e conquistas, ostentadas nos magníficos monumentos que definem a cidade eterna. Com um mapa em mãos e algumas dicas é possível conquistar Roma em 2 ou 3 dias. O sistema de transporte é ruim (pelo menos, se comparado com o de UK); para andar de ônibus é preciso ir a uma Tabacaria (detalhe: abrem tarde e fecham cedo!) comprar os tíquetes, depois validá-los, porque sem isso, se sujeita a pagar uma multa de mais de 50 Euros, caso se depare com um fiscal.
O fundamental para fazer a sua conquista de Roma é tomar a Via Del Corso, que está na parte antiga da cidade (cercada pela muralha) e explorar cada quarteirão ao longo de seu comprimento, com a certeza de que se surpreenderá a cada esquina. O Pantheon, a Piazza Espagna, Piazza Del Popolo, Piazza Navona, Piazza Venezia, com o esplendoroso monumento a Vittorio Emanuele II, o Campidoglio, o Fórum Romano, o Coliseu, a Boca Della Veritá e até o pitoresco bairro Trastevere, podem ser explorados a partir desta via. O Vaticano, com seus Museus, incluindo a Capela Sistina, e a Basílica de São Pedro, ambos com filas intermináveis ficam um pouco mais distantes, mas com fé e força, é possível chegar lá a pé, como nós fizemos. Se a idéia for ver o Papa, saiba que ele só reza para o povo às quartas-feiras, na parte da manhã.
Quem pensa mesmo em economizar, pode tentar dormir no trem de Roma para Bergamo, mas desaconselho! Fizemos isso, mas como o trem que operava a rota era o regional, dividimos a cabine com mais 4 pessoas, tivemos que fazer 2 baldiações atrapalhadas e chegamos derrotados pelo cansaço. A viagem custou 36 Euros na segunda classe. Na primeira é o dobro. Em Roma há hotéis para todos os bolsos, então pode-se garantir uma estada digna para encarar a viagem sem roncos e com belas paisagens no dia da volta.
Nestes dias de Itália, após uma overdose histórica, conclui que a terra dos Papas tem o poder de abafar um pouco da realeza de UK e o brilho da Rainha. Mesmo adorando estar em UK, com toda sua organização, limpeza, tradições e ordem, tenho que assumir que o caos, todas as cores, o clima, as vozes gritadas do povo, as fontes, os monumentos, todo o passado-vivo da Itália, apesar da era Berlusconi (que deve fazer Júlio César remexer na tumba pelo abandono em que ele tem deixado o País e o povo), ainda apaixona multidões e faz este país encantador reinar absoluto entre os meus destinos preferidos no mundo!
Sem palavras, na Fontana di Trevi!